Nossas Histórias

“O projeto ‘Nossas Histórias’ foi inspirado no livro ‘Minha História’ da Michelle Obama, e tem com objetivo honrar a história pessoal e profissional (a parte que cada pessoa se sente confortável em contar) dos trabalhadores que escolhem (porque é sempre uma escolha diária) fazer parte da Fundação, que cuida e faz parte da história dos usuários da assistência social de Caxias do Sul. O projeto oportuniza os servidores à se conhecerem melhor, percebendo semelhanças e respeitando os processos individuais dentro do coletivo.” – Katiane Boschetti da Silveira, presidente da FAS.

“Prazer, eu sou a Inês Erlo Ribeiro. Tenho 62 anos, sou casada, tenho 2 filhas e uma netinha linda de 1 ano e 5 meses.

Aos 39 anos de idade, quando minhas filhas já estavam na adolescência, optei por buscar uma formação acadêmica, entrei para o curso de Serviço Social, e acabei me identificando com a área social. Em janeiro de 2004, me formei e, pensando em obter experiência na minha de área de formação, prestei concurso para o cargo de Educador Social da FAS, pois não havia concurso aberto para Assistente Social na ocasião. Para minha surpresa, fui aprovada em 1° lugar! Fui nomeada e quando assumi, iniciei minha jornada como Educadora Social substituindo uma colega em licença prêmio, pelo período de 30 dias, no antigo Centro Educativo São Vicente. Quando a colega retornou de licença, fui removida para o Centro Educativo Flor de Ipê, onde permaneci por 5 meses, quando fui convidada a trabalhar na Sede da FAS, no já extinto Atendimento Comunitário, trabalho hoje realizado pelos CRAS. Neste setor, permaneci por 3 anos e meio, onde também atuei como Coordenadora. Em 2008, assumi a Coordenação dos Centros Educativos da FAS, que na época contava com 6 serviços próprios. Permaneci neste cargo até 2014, quando prestei novo concurso para Assistente Social, fui nomeada e permaneci na FAS. Neste novo cargo, minha lotação foi para o CRAS Leste, onde permaneço até o presente momento.

Durante o período em que atuei como Educadora Social, obtive muitas experiências, as quais me identifiquei com a área da Assistência Social, e isto contribuiu para que com o novo cargo, eu permanecesse na área. Apesar das experiências nem sempre serem as almejadas, pois os desafios são grandes e devido as complexidades do trabalho, por trabalharmos com pessoas nas mais diversas vulnerabilidades e riscos sociais, as vezes nos parece que o resultado do nosso trabalho é pequeno, porém gera um impacto na vida dos usuários e das famílias que atendemos, contribuindo para uma mudança positiva, causando uma conscientização para o enfrentamento das dificuldades vivenciadas por elas. Um dos fatos que marcou a minha trajetória profissional na FAS, enquanto Assistente Social, foi a situação de uma Idosa que residia sozinha no interior do Município, que deveria estar sob cuidados de um familiar que tinha interesses financeiros sob a Idosa, porém estava em situação de abandono em um ambiente insalubre, e não tinha condições de cuidar de si mesma, dependendo de cuidados de terceiros. A UBS procurou o CRAS para auxiliarmos neste caso e promovemos o reencontro da Idosa com os familiares com quem já havia residido anteriormente, e que tinham cuidado e carinho com ela, onde viveu dignamente até vir a falecer, com mais de 90 anos de idade. Já como Educadora Social, vivemos inúmeras situações de violência e negligência familiar com as crianças e adolescentes que frequentavam os Centro Educativos da FAS, onde foi necessária a intervenção da equipe para promover a proteção das crianças e adolescentes, em alguns casos, sendo necessário o acolhimento institucional. Em contrapartida, o nosso trabalho proporcionava muitas alegrias, tanto para os profissionais quanto para as crianças, nas atividades educativas, recreativas e de lazer que eram realizadas nos Centro Educativos da FAS.

Durante estes quase 18 anos de atuação na FAS, ocorreram constantes mudanças na legislação, nos serviços e na forma de atuação dos profissionais, que exigiram estudos e capacitações permanentes para qualificar os atendimentos aos usuários e famílias que buscam os nossos serviços. Minha satisfação e alegria em estar atuando profissionalmente faz com que eu deseje permanecer atuando por mais alguns anos, apesar de já ter idade suficiente pra me aposentar, embora ainda faltem alguns anos de contribuição previdenciária. Mas o que me faz permanecer atuando é o amor e o carinho que eu tenho pelo meu trabalho e pela minha profissão. Durante a minha trajetória profissional na FAS, convivi com Colegas maravilhosos, em que alguns tornaram-se amigos, que contribuíram e contribuem para que eu me sinta segura e com disposição para enfrentar os desafios diários do trabalho. Agradeço a cada Colega que tive e tenho o prazer de compartilhar momentos de trabalho e crescimento pessoal e profissional.”

“Prazer eu sou a Franciele Fernandes da Rosa, uma mulher de 31 anos, assistente social…

Sou fruto de uma família de migrantes, de trabalhadores rurais da fronteira do estado que deixaram a sua terra em busca de uma vida melhor. Sou filha daqueles que buscaram alcançar sonhos através do trabalho, vendo a possibilidade de alcançá-los na desconhecida, promissora e “fria” Caxias do Sul. Sou o resultado de sonhos; daqueles que com pouco estudo ousaram sonhar com uma formação acadêmica para sua filha.

Sou o resultado da criação que valoriza em primeiro lugar o trabalho. E o trabalho árduo como principal fator de formação de um “bom caráter” …. Mas graças aos sonhos sonhados com tanto suor, pude vislumbrar que viver não é apenas trabalhar por trabalhar. Hoje me reconheço como classe trabalhadora mas, entendo que a vida é mais… A vida é arte, é luta, é convivência, é acesso ao conhecimento, a vida é plena… E por me reconhecer dessa forma me reconheci como Assistente Social, como aquela que atua na defesa intransigente dos direitos, aquela que respeitando sua própria história, novamente ousa sonhar.

E sendo uma Assistente Social de profissão e otimista por opção, escolhi ser servidora pública de Caxias do Sul, pois entendo que é no serviço público que o Estado faz a diferença na vida dos cidadãos. Não escolhi ser servidora desta Fundação, não escolhi ser uma trabalhadora da Assistência Social, mas ousei seguir…Seguir sonhando, seguir trabalhando e defendendo direitos…E sim; hoje posso dizer eu escolho estar nesse lugar, que escolho permanecer e percorrer os caminhos complexos da política de Assistência Social.

Assim me descrevo Assistente Social de formação e sonhadora por opção! Aquela que encontrou na arte da dança Flamenca a energia que emana força e criatividade… ‘El Flamenco grita que mi alma calla!'”

“Prazer, eu sou a Meri!

Meu maior desafio, sem dúvidas, foi mudar para Caxias do Sul, pois diante da minha nomeação não foi possível nenhum familiar me acompanhar, ou seja, deixei em Porto Alegre marido, filhos, irmãos e amigos.

No início foi extremamente difícil, pois sequer sabia me locomover direito na cidade muitas vezes vindo a parar em locais perigosos, mas com o tempo formei um círculo de amigos que me ajudaram muito nesse processo.

Já conhecia a FASC, que é o órgão gestor da assistência social em Porto Alegre, por isso me chamou atenção o concurso e o fato da formação acadêmica ser na área contribuíram para minha decisão de trabalhar na FAS.

A busca pela tranquilidade aliada a qualidade de vida me levaram a estabelecer residência em Flores da Cunha, Capital Nacional do Vinho. A proximidade da natureza contribuiu para amenizar o estresse do cotidiano, sendo que essa necessidade se tornou mais intensa com a chegada da pandemia.

No auge da pandemia estava lotada no Conselho Municipal do Idoso (CMI), com o isolamento social os idosos necessitaram muito de acolhimento e orientação, de modo que minha passagem por esse espaço foi bastante significativa, pois permitiu me aproximar da realidade de um público até que até então era distante para mim. O aspecto positivo da pandemia foi a possibilidade de meu esposo e o filho, virem para mais perto de mim. Concluo que não poderia trabalhar com outro público senão o da assistência social, pois minhas vivências profissionais impactam diretamente no meu aprimoramento humano.”

“Prazer, sou a Rosângela, agente administrativo do CRAS Norte. Penso que meu maior desafio é ser mulher. Desde pequena fui ensinada a fazer as tarefas domésticas, menina brinca de boneca e se veste de cor-de-rosa, a ser delicada, mas, acreditava que isto não era para mim, fugia de lavar louça, brincava com os meninos e para brigar podiam contar comigo, cor-de-rosa sempre gostei. Concluí o ensino médio e não consegui pagar um curso superior. Namorei, casei, tenho duas filhas. O meu melhor, o meu tudo são as filhas Camila e Sabrina e a neta Roberta. Estou reinventando minha vida, acadêmica num curso de tecnólogo, porque precisamos interagir com outras pessoas, adquirir conhecimentos, elevar a autoestima e prevenir o envelhecimento cerebral, pois estou completando 60 anos em abril.

Eu estava trabalhando no SENAI, quando resolvi fazer o concurso da FAS para agente administrativo, passei no concurso e assumi em 06/02/2001. Eu não tinha ideia das atividades na Política Pública de Assistência Social. Meu estágio probatório foi no setor de compras, na sede da FAS, um aprendizado importante para minha vida funcional, conheci muitos colegas, que se tornaram amigo – não citarei nomes pra não esquecer de ninguém.

Em 2004 fui relotada para o Núcleo que atendia famílias apoio sociofamiliar e medidas socioeducativas. Em 2006, quando o município aderiu ao SUAS, vim para o CRAS Norte onde estou até hoje. Aprendi que nossas atribuições do cargo não tem rotina e sempre ocorrerão mudanças nas trocas de governo. Amadureci muito nestes anos de serviço público na FAS. Eu fortaleci meu caráter e mudei muitos conceitos em minha vida, hoje sou uma pessoa mais flexível, com empatia, tolerante, respeitosa, Agradeço cada pessoa, que fez e faz parte do meu crescimento individual e como servidora da FAS.”

É difícil falar sobre nós mesmos, mas como a missão é essa, vamos tentar…

Meu nome é Felomena da Silva Santos, nasci no dia 15/05/71 na cidade de Bento Gonçalves, filha caçula de um militar e uma dona de casa. Nos mudamos para Caxias do Sul em 1984, onde concluí o ensino fundamental na Escola Estadual Abramo Pezzi.

Anos após, fiz o supletivo para concluir o ensino médio, e uma professora me olhou e disse que eu não deveria parar de estudar, pois eu era muito inteligente! Resolvi acreditar nela e fui atrás do diploma do curso normal no Colégio São Carlos. No segundo semestre do magistério, nas didáticas do Ensino Religioso, encontrei com a Irmã Celina que me convenceu que eu tinha jeito para educadora social e me levou para estagiar no Centro de Cuidados Nossa Senhora Da Paz, vinte e dois anos atrás.

Pois não era que ela tinha razão? Foi ali que descobri o meu amor pela educação social e mesmo tendo concluído a faculdade de Pedagogia e feito especialização em Pedagogia Empresarial, a Educação Social roubou meu coração e trabalhar na Fundação de Assistência Social passou a ser um objetivo.

Antes de entrar para a FAS, na área social, cheguei a trabalhar no Centro Cultural Espírita Jardelino Ramos, na Associação Criança Feliz e na Casa de Acolhimento Recanto Amigo, além de professora de escola infantil e escola regular.

Entrei para a FAS no ano de 2014, lotada na Casa de Acolhimento Estrela Guia, um lugar que eu considero de puro amor, apesar dos desafios inerentes ao serviço da alta complexidade que me motivam a sair de casa todos os dias.

Porém mais que me desafiar, esse trabalho me motiva a aprender a me tornar um ser cada dia mais humano! Trabalhar na Alta Complexidade é um trabalho de entrega, e recebemos na mesma medida que nos doamos! É com esses olhos que enxergo o trabalho desenvolvido. É um trabalho que, apesar de desafiador, encanta, estimula e inquieta. Por isso, é tão especial!